Lista de acidentes com o Airbus A320, modelo que caiu em São Paulo
Esta é a lista de acidentes com pelo menos um passageiro morto em aviões modelo A320, igual ao que está envolvido na tragédia em Congonhas:
1. 26 de junho 1988; Air France A320; próximo do aeroporto de Mulhouse-Habsheim, na França: O avião se chocou com árvores. Três dos 136 passageiros morreram.
2. 14 de fevereiro 1990; Indian Airlines A320; Bangalore, India: Acidente durante aterrissagem. 88 dos 139 passageiros morreram.
3. 20 de janeiro 1992; Air Inter A320; próximo de Strasbourg, France: Acidente ocorreu quando um tripulante manobrou incorretamente equipamento de segurança do avião. Cinco dos seis tripulantes e 82 de 87 passageiros morreram.
4. 14 de setembro 1993; Lufthansa A320-200; Aeroporto de Warsaw, Polônia: O avião se acidentou na aterrissagem. Um dos seis tripulantes e um dos 64 passageiros morreram.
5. 23 de agosto 2000; Gulf Air A320; Manama, Bahrain: O avião estava fazendo a terceira tentativa de aterrissagem depois de um vôo do Cairo quando se acidentou sobre o mar há pouco mais de quatro quilômetros do aeroporto. Todos os oito tripulantes e 135 passageiros morreram.
6. 3 de maio 2006; Armavia Airlines A320; Sochi, Russia: Durante o mau tempo, o avião se acidentou no Mar Negro. Os oito tripulantes e 105 passageiros morreram.
Mais informações sobre acidentes aéreos você acessa, também, no link em inglês:
Especialista em segurança de vôo reclama da falta de ranhuras na pista
Logo após o acidente com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas, neste fim de tarde, o especialista em segurança de vôo coronel Franco Ferreira já reclamava da inexistência de "ranhuras" que ajudam na drenagem da água e melhoram o coeficiente de atrito para evitar derrapagens.
Para Franco Ferreira, o incidente registrado na segunda-feira, com um avião da Pantanal, também teria sido causado pela não conclusão deste trabalho.
A pista foi entregue em 29 de junho sem a conclusão do "grooving" (nome técnico da ranhura), segundo a Infraero, porque haveria a necessidade de aguardar o assentamento da nova pavimentação.
* setembro de 2006, Mato Grosso- 154 pessoas a bordo do Boeing da Gol, entre tripulantes e passageiros, morreram no acidente com o jato Legacy; * dezembro de 1959, Rio de Janeiro - 35 pessoas morrem no choque entre um Viscont da Vasp e um Fokker da Aeronáutica no aeroporto Santos Dumont; * junho de 1960, Rio de Janeiro - 53 pessoas morrem na queda de um Convair da Companhia Real na Baía de Guanabara; * dezembro de 1970, Rio de Janeiro - 37 pessoas morrem pouco antes antes do pouso de um Viscont da Vasp; * julho de 1973, Paris - 123 pessoas morrem na queda de um Boeing 707 da Varig, a 1 minuto do destino, o aeroporto de Orly. * abril de 1980, Florianópolis - 54 pessoas morrem no acidente com um Boeing 727 da Transbrasil. * junho de 1982, Serra da Aratanha (CE) - 137 pessoas morrem no choque de um Boeing 727-200 da Vasp contra uma montanha da Serra de Aratanha, a 30 km de Fortaleza. * outubro de 1996, São Paulo - 99 pessoas morrem quando um Fokker-100 da TAM cai sobre o bairro do Jabaquara, Zona Sul de São Paulo. * maio de 2004, Manaus - 33 pessoas morrem na queda de um avião da Rico Linhas Aéreas que se se preparava para pousar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Lei que obriga coletor solar gera debate no CBN SP
O aquecimento solar foi um dos temas que ganharam destaque no CBN SP desta terça-feira com várias participações dos ouvintes-internautas. Lei sancionada semana passada obriga novas construções na capital paulista a implantar este sistema.
Algumas, reproduzo para você ler, pensar e comentar:
“Será que eles (autoridades) não poderiam isentar as empresas que fabricam os componentes para aquecedores solares para que sejam acessíveis para todos” (Luis Carlos)
“Estive recentemente em uma pousada em Paulicéia, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, e por lá as pousadas só usam aquecedor solar. Interessou-me, perguntei ao gerente da pousada sobre a economia e ele me respondeu: 80% e o retorno, 10 meses” (José Renildo da Silva) “Aqui no Paraná, já existe o aquecedor solar feito de garrafas PET, o Estado instala nas moradias populares, o negócio funciona de verdade, é durável e econômico!.“ (Márcio José de Campos Hosken)
“Já trabalhei como projetista de instalação hidráulica e sei que aquecimento solar residencial é uma grande vantagem, porém, sua instalação dever ser adaptada para condutores que suportem água quente à temperaturas elevadas (cobre ou pvc especial). Para residências novas é mais fácil pois, durante a construção pode-se definir os padrões, já numa residência antiga é mais complicado e necessita de um projeto para adaptação ao sistema novo.” (Juscelino Gonzalis)
“Acabei de ouvir sobre a colocação de aquecedor solar nos novos imóveis, porém e preciso extremo cuidado com relação ao fornecedor. A maior empresa do setor Soletrol continua fazendo propaganda e não entrega. (Franklin G. T. Alves)
Ouvintes-internautas discutem o trânsito da cidade
O trânsito em São Paulo, a falta de vaga para estacionar, a restrição de tráfego em ruas residenciais e o Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro) foram assuntos discutidos pelos ouvintes-internautas do CBN SP, nesta terça-feira.
Reproduzo algumas das participações para que você possa pensar sobre o assunto, também:
“Entendendo o Pedágio Urbano não como uma penalização para tirar imediatamente os veículos das ruas do Centro Expandido, mas como uma tarifa barata para financiar a multiplicação da quilometragem do metrô e mais para frente começar influenciar nesta retirada. Posso adiantar a vocês o resultado surpreendente de que se a tarifa for de R$ 7,50, ou algo parecido, mesmo com a frota aumentando, anualmente, 150 mil veículos e cada vez mais, mas prevendo-se uma diminuição da frota na rua em torno de 95% por ano, no prazo, ligeiramente superior, a 15 anos ter-se-ia arrecadado cerca de R$ 60 bilhões, com o acréscimo de 250 quilômetros de metrô” (José Fabio Calazans)
“Os governantes de São Paulo não investiram em transportes apesar da dinheirama nos seus cofres. E o resultado é esse que estamos vendo. Eu adoraria deixar o carro na garagem sempre se tivéssemos transporte adequado.” (Izabel Avallone)
“Toda vez que alguém falar sobre deixar o carro em casa e andar de transporte coletivo, você poderia fazer esta pergunta: E você faz isso?”. (Paulo Fernando Gomes de Almeida)
“Muito lindo falar de bicicletas em Paris, mas andar de bike aqui em SP é só pra quem gosta muito. Nas ruas, motoristas não respeitam; especialmente os de ônibus, os taxistas e os motoboys, que praticamente jogam os ciclistas na guia.” (Débora Menezes)
“Vamos combinar o seguinte, antes de tirar o motorista de seus veículos, vamos tomar as seguintes atitudes, só para começar: melhorar o nível do transporte público; trabalhar a educação dos condutores; melhorar os abrigos de ônibus para dias de chuva; aumentar a segurança dos trens; aumentar a segurança das ruas, principalmente à noite; melhorar a iluminação das ruas; habilitar melhor os motoristas (??) das lotações” (Rubens Poças)
“Acredito que a solução do trânsito não deva ser vista somente com pontos únicos, mas sim em um conjunto de medidas, tais como: término do Rodoanel, porém sem pedágio; retirada do Ceasa da região da Leopoldina; reparo dos semáforos inteligentes que estão desativados; proibição de trânsito de caminhões colocando pequenas vans para a entrega de materiais; aumento considerável dos corredores de ônibus; transformar o trens CBTU em Metrô; proibição em várias vias publicas centrais de estacionar; aumento de investimento salarial, recursos (equipamentos e modernização) e quantidades de efetivos da CET. (Paulo Garcia)
“O que adianta organizar o Dia Mundial Sem Carro, se eu vi uma matéria dizendo que irão dobrar a fabricação de carros?” (Jacson)
“Para ganhar alguns usuários, na minha opinião, basta fazer alguns pontos de ônibus com cobertura porque nesses dias de chuva não tem condições”. (Anselmo Padilha) “Pedágio urbano é uma idéia absurda, tecnologicamente impossivel de se implantar em São Paulo e perversamente excludente.” (Sandro Tubertini)
“O pedágio vem por um viés falso, como se o cidadão fosse o culpado dos problemas de trânsito. “Você foi um mau menino, insistiu em andar de carro, e por isso vai ser castigado", parecem dizer certas autoridades e "especialistas.” (Roberto Locatelli)
Diego Hypolito é de ouro, mesmo. Não bastasse a medalha que ganhou nesta terça-feira, no Pan, foi autor de gesto elogiável durante a competição. Foi enfático ao criticar o público que vaiou (não, não foi o Lula) a equipe dos Estados Unidos de ginástica artística. Pediu para os torcedores aplaudirem aqueles que seriam seus principais adversários na competição. Ouro para Diego !
Em tempo: Depois da nota acima ter sido "blogada" o Diego deu entrevista na televisão e falou da outra vaia, também. Ele convidou o presidente Lula a voltar ao Rio e esquecer esta história de vaia.
Italiano estaciona carro minúsculo como moto para resolver falta de vaga
Vagas de estacionamento por U$ 450 mil estão sendo disputadas em Nova Iorque. A notícia apareceu estes dias na internet (não me pergunte, agora, quem a divulgou), revelando uma situação que não é apenas dos moradores da ilha de Manhattan. A falta de espaço para guardar um automóvel é fenômeno que se repete em boa parte das grandes cidades, principalmente nas áreas centrais. Além da super-valorização das garagens, o desrespeito as regras de trânsito e a cidadania também cresce.
No Rio de Janeiro, o uso indevido das calçadas é comum. Jornais como O Globo fazem campanhas constantes contra esta situação. A coluna de Ancelmo Gois reproduz fotografias com os motoristas e suas barbaridades sobre as calçadas, com freqüência.
Passeando em Roma, nos últimos dias, a situação encontrada foi semelhante. Sem garagens nos prédios com idade secular e o crescimento no número de carros, não tem mais lugar para estacionar. No centro antigo, só os moradores estacionam sem pagar, mesmo assim as vagas reservadas não são suficientes. Circula-se por quase meia hora atrás de uma - parece estacionamento de centro comercial brasileiro em véspera de Natal. Uma das soluções aplicadas pelos italianos é o uso de carros minúsculos, como o modelo Smart (este aí da foto), que disputam espaço com as motonetas.
São Paulo, nesta semana, aumentou as vagas destinadas a zona azul - modelo de estacionamento rotativo - no Parque do Ibirapuera, para desespero de muitos frequentadores. Diminuir o número de vagas gratuitas e aumentar o preço do estacionamento, principalmente na região central, são medidas inevitáveis.
Em Buenos Aires, o aumento dos valores cobrados nos estacionamentos públicos e privados foi adotado para desestimular o uso de carros na região central. Na capital argentina, da mesma forma que na Itália ou em São Paulo, os prédios antigos foram construídos com pé direito alto, ambientes amplos e levando em consideração apenas o conforto dos moradores. Hoje, os imóveis diminuem de tamanho na mesma proporção que aumentam as vagas oferecidas no subsolo do prédio.
Reclamem o quanto quiserem, mas a solução mesmo passa pela redução no número de carros circulando na cidade, fator que vai ocorrer seja por bem ou por mal.
A lei que obriga novas construções residenciais e comerciais a instalarem aquecedor solar, em São Paulo, vai gerar economia para o cidadão e benefícios ao meio ambiente. A opinião é do comentarista Osvaldo Stella, do quadro Ambiente Urbano, que vai ao ar toda segunda-feira, no CBN São Paulo. Ouça:
O aumento da população nas favelas paulistas, calculado em estudo da prefeitura e da ONG internacional Aliança das Cidades, gera o fenômeno da verticalização, visível até então nas áreas de classe média e alta, também nas comunidades mais pobres, como em Paraisópolis. Segundo representante dos 80 mil moradores da favela que fica na zona sul da cidade, Gilson Rodrigues, a falta de espaço para novas construções leva os moradores a "bater laje". O número de pessoas nestas regiões cresce, enquanto o investimento na infra-estrutura se mantém inalterado. Resultado: faltam escolas, postos de saúde, fornecimento de energia elétrica e saneamento básico, entre outros itens.Gilson Rodrigues falou ao CBN São Paulo:
A prefeitura de São Paulo foi procurada pela produção do CBN São Paulo mas não comentou o assunto. Neste blog, mais abaixo, você encontra outras informações sobre o estudo.
Contratadas da CDHU doam dinheiro a deputados estaduais
Um terço dos deputados estaduais da Assembléia Legislativa de São Paulo recebeu doações financeiras, durante a última campanha eleitoral, de empresas contratadas para realizar o programa de construção de casas populares da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) do governo paulista.
Na semana passada, a Alesp, por meio de uma manobra regimental comandada pelo presidente da Casa, Vaz de Lima (PSDB), enterrou a proposta de se criar, ainda neste ano, uma CPI para investigar supostas irregularidades na CDHU reveladas em inquéritos do Ministério Público e da Polícia Civil.
Dos 94 parlamentares estaduais eleitos em 2006, 32 (cerca de 34% do total) receberam doações de 31 empresas que mantêm ou mantinham, até o início de 2007, algum tipo de contrato no Qualihab, o principal programa da CDHU, criado em 1996. As empresas despejaram nesse grupo de candidatos vitoriosos R$ 1,85 milhão.
Dos 32 deputados que receberam recursos nas suas campanhas, 13 são filiados ao PSDB, partido que detém a maioria na Assembléia, oito são do PT, quatro, do DEM, dois, do PMDB, dois, do PSB, e um do PDT, do PPS e do PTB.
Trecho de reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo de hoje
Um mendigo da Rua Miguel Lemos, em Copacabana, juntou as coisas e foi para São Paulo. Um carioca o encontrou perto de Congonhas e ouviu sua explicação: “Vim passar uns quatro meses para levantar uma grana. O Rio tá muito pobre”
A piada está reproduzida na coluna de Alcelmo Gois, em O Globo de hoje.
Um em cada seis paulistanos vive em favelas, é o que diz um estudo divulgado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", no domingo. Em quatro anos, a população favelada da cidade cresceu 38%. Eram 290 mil famílias nas favelas em 2003; e, hoje, são 400 mil famílias - quase dois milhões de pessoas. Interessante é que a área tomada por favelas não aumentou da mesma forma. Ou seja, cada família tem menos espaço para viver e as construções sobem como os prédios de luxo na cidade.
Chove forte em São Paulo no início desta manhã quando me preparo para retomar o trabalho, após um mês de férias. Navegando na internet, antes de ter de navegar pelas ruas da cidade, folheando os jornais entregues na porta e de ouvido ligado na CBN, descobre-se poucas novidades em relação ao que se deixou para trás (apenas modo de dizer, porque com a velocidade da informação e a facilidade de acesso as notícias de qualquer lugar estão em todos os lugares).
Renan continua Renan. Lula está triste com a vaia. Serra é líder de pesquisa. ACM resiste. A Assembléia Legislativa de São Paulo não investiga nada. A prefeitura recebe reforço da PM no trânsito. E o trânsito está parado.
Até o esporte é o mesmo: o vôlei é hepta, o futebol é octa, e quem ganha medalha no Pan aproveita para mostrar o Brasil que não são heróis pelo pódio conquistado, mas por resistirem as barbaridades dos cartolas.
Só o Heródoto está mais bonito. O que teria feito ?
- Não encosta em mim! - Como?? - Você entendeu muito bem. - Desculpe, mas não entendi. - Você sempre se faz de desentendido, não é? - Claro que não... Eu... - E tem resposta pra tudo. Claro que não, claro que sim... Tudo é sempre muito claro pra você. Como se nunca tivesse dúvida; como se estivesse sempre certo. Mesmo quando sapateia em cima de mim, do meu coração do meu ego, do meu orgulho. E eu vou vivendo assim, ferida, sangrando, sempre chorando. Diminuída! - Por favor, não chore. Você sabe que eu não posso ver mulher chorando. - Ah, mas pelo jeito uma mulher lançando olhares furtivos na tua direção você pode, não é? Pensa que eu não vi? Bastou um sorrisinho na tua direção pra você se derreter todo. Por que, meu Deus, por que vocês homens são todos assim? Não podem ver um rabo de saia abanando que já ficam animadinhos. É a ruga nova que descobri ontem de manhã, no espelho? Só pode ser. Ou talvez a marca de expressão em volta da boca e os primeiros cabelos brancos. Você também não é imortal, sabia? - Desculpe, mas não sei do que você está falando. E que voz é essa? - Pois devia saber porque a minha voz tem este tom toda vez que você faz isso, e faz sempre! Insiste em me magoar, em me ignorar e ficar olhando pras outras. Por quê? Essa aí é mais bonita do que eu? Mais jovem? Mais interessante você não poderia saber se é, porque ainda nem trocaram telefones. Quantas estações são necessárias pra você conseguir o telefone dela, ou será que já se conhecem? E eu aqui, na santa inocência, fazendo tudo por você, dia após dia. E você sabe que toda vez que choro assim, acabo com os olhos inchados e não tem compressa no mundo que conserte. Então, o que acontece? Mais rugas, mais traição. Mais traição, mais rugas. - Está todo mundo olhando, por favor, eu nem... - Ah! Agora, se todo mundo olha a culpa é minha. Você se derrama, se espalha, fica flertando descaradamente com a primeira zinha que aparece e eu é que estou errada. Só estou tentando me defender, defender o nosso amor! Se é que ele ainda existe, se é que sobreviveu a tanta infidelidade. Não pense que sou boba. Vejo muito bem. E quando não vejo sinto, pressinto, vislumbro a possibilidade. Esses óculos escuros são pouco pra disfarçar seus olhares sorrateiros. Senhoras e senhores, Estação Sé. - Amor, amor, acorda. Chegamos. Você cochilou. - - Não encosta em mim! - - ? Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Operários começam construir palco de 64m de largura e 28 de altura
Phil Collins conclui turnê que marcou o reencontro do Genesis, neste sábado, em Roma. A cidade é um espetáculo construído pela civilização. Tê-la como cenário engrandece ainda mais concertos, óperas e peças de teatro. A programação cultural é intensa e desenhada pela iluminação que contorna monumentos históricos. O Circo Massimo foi o local escolhido para apresentação gratuita do grupo que fez sucesso nos anos 70 e 80.
Em entrevista, Phil Collins falou sobre o retorno: “Sting disse que voltar no Police significa voltar a um casamento. Para nós é a mesma coisa, sendo que nosso casamento é mais velho do que o dele”. No altar do matrimônio, alem de Collins, estarão Tony Banks e Mike Rutherford.
Sábado é dia de voltar para casa. Assim, o consolo é ouvir Genesis no computador, ao som de I Can't Dance:
Morador paulistano está ficando metido. Ao chegar na cidade dos amigos, a primeira coisa que quer saber é se a poluição visual está sendo combatida. Na capital italiana, não tem outdoor dos moldes que havia em São Paulo, mas cartazes menores colocados sobre a calçada, ou seja, em domínio público e controlado pelo município.
Por contraditório que pareça, em Roma, que conserva como poucas seu patrimônio histórico, revelando fachadas e recuperando monumentos, o desrespeito e a sujeira são grandes, haja vista as condições que estão muros e espaços publicitários da cidade.
Na segunda, dia 16, para mudar esta cara, a prefeitura lança a campanha “Muro Limpo” , com 38 equipes tomando as ruas da região do Campidoglio. Cada uma com três operários munidos de sabão e máquina automática de água. Hoje, somente oito grupos atuam na área. O alvo são os escritos nos muros e a remoção de cartazes irregulares.
O projeto atenderá não apenas o centro histórico. "Mais atividades de decoro vão avante”, disse o prefeito de Roma, Walter Veltroni, que investirá € 5 milhões – pouco mais de R$ 13 milhões – na operação.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, poderia convidar o colega Veltroni a visitar a capital paulista e ver que apenas a ação radical de controle da poluição visual foi capaz de coibir a ilegalidade.
A foto é do autor do texto, Julian Gallo, aos 6 anos
Lembro-me das sessões de slide na sala de casa, a familia em volta da mesa baixa, alguns atirados no sofá e o resto da turma sobre o tapete. Já havíamos decorado a ordem das imagens, mas sempre nos divertíamos como se fosse a primeira vez. Tinha uma que minha irmã odiava, e sempre que aparecia lhe tirava um sorriso amarelo.
Dia desses tentei rever, ao lado de meu irmão, algumas daquelas imagens. O reprodutor exalou cheiro de queimado e slides entortaram. A maioria está salva para a gente rir das nossas roupas, cabelos e poses. Ainda bem.
O arquivo fotográfico tornou-se mais simples com a digitalização, e em uma armadilha que pode condenar nosso passado, como alerta o jornalista argentino Julian Gallo. Especialista em assuntos de tecnologia, ele chama atenção para um cuidado especial que devemos ter com nossas fotografias, em texto publicado no blog Mirà (www.juliangallo.com.ar)
Diz um dos trechos:
“Temos que entender muito claramente que a função de um album online como Flickr não é conservar fotos, e, sim, ajudar a compartilhá-las, ajudar que os outros as vejam. Nada mais. Porém, é inquietante descobrir que as fotos digitais desaparecem sem demasiadas explicações.”
Leia o artigo “Hay que imprimir la memória fotográfica” acessando o link abaixo e aproveite para conhecer muito mais deste interessante argentino (que, além de tudo, é torcedor do Boca Junior):
Leitor assíduo de seu blog, me interessei em especial pela sua nota a propósito da Bocca de La Verittà. Estou habitando em um pequeno e charmoso apartamento na Via Merulana, portanto a E 1,00 e alguns minutos da igreja de Santa Maria in Cosmedin, se pegar o ônibus certo.
Não resisti a tentação e segui para as margens do rio Tevere em busca da verdade. nesta manhã. A igreja do século IV é singela se comparada com outras dezenas que visitamos por aqui como a Basílica de S. Maria Maggiore. Bastante humilde, principalmente para quem ainda tem em mente a riqueza esbajada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Levando-se em consideração estarmos em período de férias escolares e o bom tempo que se registra na Itália, a fila que se estendia desde a calçada até o interior da igreja não era das mais desafiadoras – nesta época, para entrar na Capela Sistina ou no Coliseu é preciso rogar aos Deuses da Paciência.
Isto, aliás, facilitou uma das tarefas das quais havia me imbuído, verificar se havia a presença de algum brasileiro ilustre e letrado em busca da verdade. Além de um vendedor de pequenas lembranças, logo após o portão de entrada, que ensaiava alguns assovios com o apito que forjava no local, constatei a existência de enorme quantidade de turistas japoneses e, com menos expressão, de outras nacionalidades, também. Brasileiro, era o único representante no momento.
Aproveitei para perguntar ao ambulante, que vendia produtos com autorização da igreja, se havia notado um aumento na freqüência de brasileiros nestes últimos dias. Com certeza, respondeu. Alguém que o senhor tenha visto lhe chamou atenção ? Quase todos com camisa da seleção. Algum de terno e gravata ? E carro oficial ? Nenhum, repetiu várias vezes, sacudindo a cabeça.
Cerca de 15 a 20 minutos depois de chegar, consegui me aproximar da lenda. Como qualquer turista, até para não chamar atenção, coloquei a mão dentro da boca e posei para fotografia. Enquanto o resto do pessoal preparava seus flashes, aproveitei para realizar minha segunda e mais importante tarefa: convidar a Bocca de La Verittà para viajar a Brasília e se instalar na porta de acesso do Congresso Nacional.
Confesso que não tive muito tempo para convencê-la. Os japoneses que vinham logo atrás estavam impacientes. Sugeri que aparecesse na capital federal após o recesso parlamentar, já que entendia o abalo que haveria nas finanças de Santa Maria in Cosmendin se resolvesse deixar o local nestas férias. Tentei-a com a possibilidade de conhecer o nosso “Cristo Maravilha”, no Rio de Janeiro. Disse ter medo (deve ser da concorrência). Insinuei com uma camisa autografada pelos jogadores da seleção de Dunga (sem Ronaldinho e Kaká, ela sequer abriu a boca).
Impassível mas compreensiva, a Bocca me disse que de todos os brasileiros que por lá passaram nessas últimas semanas nenhum teria motivo para perder o dedo que fosse, e sugeriu que voltasse ao portão de entrada, comprasse do vendedor uma miniatura por apenas 6 euros e a levasse para Brasília com um recado: Provate, Renan !
Fila da verdade: sem brasileiros
Leia a nota "Boca da Verdade" escrita por Walter Maierovitch no link abaixo:
Na Piazza del Popolo, após quase duas horas de passeio em uma das mais famosas ruas de comércio da capital italiana, a Via del Corso, entre as principais marcas da moda internacional, o cidadão se depara com a vitrine acima. Lá dentro, uma série de produtos piratas – tipo aqueles vendidos nas ruas de Veneza (veja nota anterior) – recolhidos das mãos de contrabandistas e vendedores ambulantes, que podem ser encontrados nos corredores das estações de metrô e ruas secundárias.
No alto, a mensagem principal: “ No nosso país, os falsos são... bandidos!”. Em baixo, a ameaça para quem ficar tentado às facilidades do comercio ilegal: comprar produtos de contrabando é crime passível de multa de € 10 mil.
Do jeito que crescem as vendas ilegais, logo a campanha terá que expor, em praça pública, não apenas os produtos falsos, mas os próprios falsificadores.
Obs: A vitrine antipirataria fica na Piazza del Poppolo e a vitrine da pirataria na feira de Porta Portese, as margens do Rio Tevere (foto abaixo). Contrabando e produtos falsificados tomam as bancas do comércio popular.
A poluição da cidade incomoda mesmo turistas acostumados a respirar a sujeira de São Paulo. Não bastasse a fumaça provocada pelos carros, Roma tem uma peculiaridade: partículas de cocaína. Ninguém fica “chapado” só por caminhar na região do Campidoglio, mas o estudo de um grupo de pesquisadores do Instituto de Poluição Atmosférica, do Conselho Nacional de Pesquisa, encontrou vestígio de coca, assim como do componente ativo da maconha e do haxixe. Foi a primeira vez no mundo que se constatou partículas de droga suspensas no ar na cidade.
Um relatório apresentado nesta quarta ao Parlamento talvez explique em parte a constatação anterior: o uso de cocaína cresceu 62% entre os homens de 25 a 34 anos, e 50% entre as mulheres, na comparação entre os anos de 2001 e 2005. Um em cada três italianos fumou maconha pelo menos uma vez na vida.
Não sei se a gente fala água da pena ou da bica, em São Paulo. Água da torneira é mais comum, com certeza. Da pena, da bica ou da torneira, é de lá que o prefeito de Nova Iorque quer que o cidadão tome água. A notícia ganhou espaço no noticiário italiano, onde o hábito é comum. Alguns pequenos restaurantes não se acanham em servi-la aos clientes. Água, por sinal, não é problema para moradores e turistas que encontram fontes naturais por todos os lados.
Michael Bloomberg lança o movimento, em Nova Iorque, para reduzir o desperdício e a poluição provocada pelas garrafas de plástico. Segundo a BBC, os nova-iorquinos apóiam a iniciativa. Quem não gostou da proposta foram os produtores de garrafas PET.
Uma carteira com dinheiro, documento e cartões de crédito e de banco é perdida dentro de um parque de diversões por onde cruzam milhares de turistas, em sua maioria, italianos.
Duas horas depois, a carteira volta ao dono sem dano; enquanto a administradora não foi capaz de cancelar o cartão, mesmo após impor ao cliente uma enxurrada de perguntas, confirmações e repetições.
No incidente descobre-se a honestidade do cidadão e a incompetência da administradora de cartão.
Obs: o fato levou a outras histórias, como a do cidadão, anônimo até hoje, que encontrou o cartão de crédito de uma brasileira e como não havia maneira de encontrá-la teve o cuidado de cancelá-lo na administradora. Ambos tiveram sorte.
Negros e altos, eles se vestem muitas vezes com roupas que fogem do estilo ocidental, apesar de ser possível, também, encontrá-los vestindo camisetas de algum ídolo do basquete americano. Todos são muito bons de papo e a abordagem é feita com uma largo sorriso e gestos extravagantes que não escondem seu objetivo. É incomum a capacidade que têm de manter uma conversa por longo tempo com seu interlocutor – na maioria das vezes, mulher – mesmo que este se esforce para seguir em frente. Ou sequer compreenda a língua com que se comunicam.
Os nigerianos (assim são identificados, por aquim, todos que nasceram em qualquer pais da África) se globalizaram. Antes eram vistos em capitais mundiais como Nova Iorque, passaram a atuar em outros centros, como São Paulo, agora se integram, também, ao cenário de Veneza, a pequena cidade italiana que insiste em se manter viva sobre o mar. Com um lençol estendido nas calçadas das estreitas vias, espalham cuidadosamente dezenas de bolsas de “ótima qualidade”, garantem.
Acesse a internet e procure os últimos lançamentos das coleções da Gucci, Fendi e Dolce Gabbana. São estes modelos que estarão à venda por preços convidativos. Começam com uma pechincha, € 80,00 (algo em torno de R$ 216), mas ao ouvirem o primeiro “não” – seja na língua que for – fazem nova proposta. O preço cai a medida que a cliente tenta se desvencilhar do vendedor. Eles nunca desistem, seguem caminhando ao seu lado. É possível conseguir um “desconto” de até 50%.
Se a presa não resistir a tentação, voltar atrás e conferir a qualidade do produto, estará perdida. Dificilmente escapará da compra. O visual das bolsas é convicente.
“O preço é excelente”, insistem. Se o cliente tiver dúvida, basta ir a loja da frente onde as mesmas bolsas podem ser encontradas por até € 800 (R$ 2.160). Esta é outra curiosidade neste comércio ilegal: os nigerianos não se acanham em colocar suas “bancas” e bolsas falsificadas diante da loja “oficial”, para desespero dos lojistas.
Em dois dias, jamais assisti ao “rapa” seja por carabinieri ou qualquer autoridade de fiscalização, apesar de que eles parecem estarem sempre prontos para correr, mesma rotima dos ambulantes ilegais das cidades brasileiras. Os comerciantes – os das lojas - dizem que de vez em quando eles são retirados dali.
Na última noite em Veneza, um deles sorriu para a moça da frente, se aproximou, fez genuflexão, estendeu os braços como lhe abrindo caminho para o consumo, reproduziu algumas palavras em uma língua qualquer e, em poucos segundos, voltou sem a venda: “Venezuela”, disse ao mesmo tempo que levantava os ombros em sinal de resignação.
Pelo Grande Canal passam parte dos produtos falsificados
A irregularidade no desenho de Friedensreich Hundertwasser é proposital e oferece um visual equilibrado com a natureza. Na contradição, está a idéia da sustentabilidade discutida por todos nós, assustados com o aquecimento global, que já se praticava no trabalho deste artista vienense que morreu, em 2000, aos 71 anos.
“Na natureza não há maldade, somente há maldade no homem”, dizia Hundertwasser.
Na casa (foto acima), o visionário provou que é possível o cidadão viver com a natureza sem que nenhuma das partes tenha de abrir mão de seus direitos.
Desde 1986, quando foi concluída, Hundertwasser House, na capital austríaca, foi visitada por milhares de pessoas de todo o mundo. Um passeio na calçada em frente a casa colorida e arborizada e você encontra estudantes e professores de arquitetura e urbanismo debatendo, em inglês, alemão e espanhol (foi o que consegui identificar) , cada detalhe ao nosso alcance.
Os neófitos (dentre os quais este vos bloga), de boca aberta, tem a impressão de que o artista brincava de desenhar, e transformava o brinquedo dele em realidade. É verdade. Basta verificar outros trabalhos que podem ser acessados na internet, em qualquer site de busca.
Enquanto alunos e profissionais, grupos de turistas e curiosos ficam admirados diante do trabalho de Hundertwasser, lá dentro famílias tocam suas vidas. E saber disso, torna tudo ainda mais incrivel.
Olhar o predio residencial de Hundertwasser, no terceiro distrito da capital vienense, me fez lembrar por - e pelas - linhas tortas de Estevão da Paraisópolis, favela da zona sul de São Paulo. Artista, também, sem a fama do personagem desta história, transformou o ritual de uma casa em arte (foto abaixo), apesar de jamais ter passado por escola especializada (coisa, aliás, que Hundertwasser o fez não por mais de três meses).
Ando ouvindo tanta coisa estranha ultimamente que resolvi voltar atrás numa decisão tomada há quase um ano, quando cancelei a assinatura de um jornal diário e de uma revista semanal. Descobri que o pessoal da revista precisa mais de mim do que eu deles, uma vez que tenho sofrido assédio despudorado de seu departamento de marketing. Mas minha decisão não parou por aí. Deixei também de assistir aos noticiários da televisão e limitei-me a ouvir o rádio no carro, de onde o fato chega avaliado, decodificado, discutido e observado de ângulos diferentes. Digo que voltei atrás porque resolvi ler a mesma revista que antes assinava só que, desta vez, emprestada. Com o friozinho que faz esta semana em São Paulo, comi uma fruta, me embrulhei num pijama deliciosamente confortável, cobri o sofá com uma manta quentinha, instalei um travesseiro nas costas e me acomodei toda pimpante, para me informar. Ler, para mim, é sempre um evento, e me preparo para isso com pompa e circunstância. Ler é como comer, você se abre e deixa-se alimentar. A comida nutre ou destrói você. A leitura também. Há que ter critério. Tive certa dificuldade no (re)começo, mas uma vez embarcada na aventura, e não sou de me acovardar com facilidade, entrei de cabeça. A certo ponto, quando começava a sentir mal-estar, parei. Ainda bem que antes de sentar para ler só tinha comido uma fruta, porque comecei a me sentir pesada, cansada e tinha uma sensação de solidão, de abandono e de impotência, de dar dó. Logo na capa da revista havia a foto um senhor de aparência corriqueira, cara boa eu diria, usando óculos de grau de quem cansou as vistas ao longo da vida estudando, e sorriso discreto sem mostrar os dentes, meio desenxavido. A legenda, porém, dizia que é chantagista e a reportagem declara-o milionário ilícito, mentiroso, e usa outros adjetivos que nem vale a pena enumerar. Acontece que esse senhor não é um senhor qualquer, mas um dos homens que supostamente deveriam cuidar dos interesses de nossa empresa, o Brasil. É um cidadão que cuida do seu dinheiro e do meu, das suas ações e das minhas, e é pago por nós Eu deveria ter desistido ali na capa, mas capricorniana teimosa que sou, insisti, e o pesadelo foi se intensificando. Vi pessoas bem vestidas dormindo no chão de elegantes aeroportos, em cidades ricas e prósperas de um lugar que outrora chamamos de pátria amada. Vi uma bolsa, horrorosa por sinal, sendo vendida pelo obsceno valor de quarenta e dois mil dólares, o que equivale mais ou menos a uns noventa mil reais. Vi político dividindo o produto de roubo ou suborno, nem me lembro bem. Palavras como cinismo, crise, impasse, chantagem, baixaria, favores financeiros, pedofilia, escândalo, promiscuidade, dissimulação, enriquecimento ilícito e dossiê, tudo misturado com ética, recheavam as páginas da dita revista. Li até a palavra incongruência, veja só! Fechei a revista, decidida. De todo o cardápio de leitura disponível, essa eu tinha certeza de que não entraria mais na minha dieta. Escolho criteriosamente minha alimentação, com poucos deslizes, escolho os filmes que assisto e tento escolher o nível dos meus pensamentos. Por que não escolher o que leio? Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
Os bondes, banidos das cidades brasileiras pela indústria do petróleo, circulam com elegância nas ruas e avenidas da capital austríaca, integrando o sistema de transporte público. É transporte considerado moderno. Aqui, dizer que “pegou o bonde” não revela a idade de ninguém, Heródoto Barbeiro !
Não incomodar os outros é cuidado levado até as últimas conseqüências. Todas as estradas que cruzam a capital e arredores têm paredes anti-ruído, semelhantes as que encontramos em um ou dois pontos do Rodoanel, em São Paulo. Há casos, em que o custo para levantar o muro foi superior ao conjunto das casas protegidas do barulho dos carros e caminhões. O Psiu funciona !
Os rios estão integrados a vida dos vienenses. Praias artificiais, passeios de barco, espaço para nadar e até piscina construída dentro do Danúbio. Nesta foto, a 150 metros de altura, no topo da Torre do Danúbio, você vê uma ilha artificial com 21 quilômetros de extensão e um conjunto de bares e restaurantes batizado Copacabana, em homenagem a praia brasileira. Que saudade do Tietê !
A primeira notícia que levei a um amigo sueco que trocou o Brasil pela Áustria há cinco anos foi a proibição de toda e qualquer publicidade externa, em São Paulo. Falei com certo orgulho do avanço paulistano, mas o sentimento foi cortado com uma pergunta que me atingiu como uma flecha: “É uma prioridade ?”.
Para ele é preciso antes atacar questões centrais no Brasil e na cidade de São Paulo em particular, onde viveu 17 anos, para depois encarar de frente problemas que considera menores. Foi assim, combatendo os grandes temas, que Viena se desenvolveu, explicou.
Nossa conversa enveredou para os assuntos que preocupavam os vienenses neste início de verão em que as grandes orquestras estão fora do país: radares, falta de lugar para estacionar e a imigração.
Lá pelo meio do bate-papo soube de uma das prioridades atendidas pelos legisladores vienenses: o repouso de fim de semana perturbado pelos cortadores de grama. E para dar um basta a este desrespeito, uma medida dura: a partir do meio-dia de sábado até o fim de domingo é proibido cortar grama com máquinas elétricas.
Quem dera chegarmos um dia no estágio de discutirmos a proibição do uso dos cortadores de grama, em São Paulo. Quem dera um dia termos grama em nossas casas para incomodar o vizinho com o barulho das máquinas.
Impunidade prejudica luta contra mortes no trânsito
De Madri
Há um ano, os motoristas espanhóis estão sob leis de trânsito rígidas com o objetivo de reduzir o número de mortes. O sistema de pontuação, que lembra o implantado no Código Brasileiro de Trânsito, conseguiu derrubar em 14,6% a mortalidade. A lentidão na punição e erros nos registros, contudo, podem se transformar em barreira para os avanços conquistados até aqui.
De julho do ano passado, quando entrou em vigor a regra, até agora haviam morrido 2759 pessoas em acidentes de trânsito. Entre julho de 2005 e julho de 2006 havia sido registradas 3272 mortes. Em média, 47 pessoas deixaram de morrer a cada mês.
Contudo, a demora para que as multas cheguem a casa dos espanhóis e, pior, erros nos registros feitos pelas autoridades em algumas cidades – e Madri é um dos casos – já dão sinais de que o sucesso inicial está para falir. Desde fevereiro começaram a chamar atenção o retorno ao noticiário dos acidentes de trânsito com mortes.
A associação Automobilistas Europeus Associados (AEA) assegura que milhares de condutores multados não terão acrescidos pontos em suas carteiras por erros da Direção Geral de Tráfico, na Espanha. Sem uniformização, cada cidade utiliza nomenclatura diferente para as mesmas irregularidades e a informação não é aceita pelo sistema de informatização implantado pela DGT.
Da Espanha, o exemplo de algo que conhecemos bem no Brasil. A impunidade, seja no trânsito seja em qualquer outra instância, tende a gerar mais vítimas, tornando inócua qualquer tentativa de enrijecimento das leis.