No tempo de Adão e Eva, considerando-se que o casal tenha mesmo existido, o assunto segurança não constava da pauta a ser discutida no dia-a-dia, se é que tinham um idioma e que se comunicavam através dele. Como nunca ouvi dizer que tenham brigado e, muito menos, se separado, imagino que não tivessem. Mas, supondo que havia um vocabulário, segurança, certamente, não fazia parte dele.
Hoje, no entanto, segurança é palavra que transita, a torto e a direito, nos lábios de todos; letrados e iletrados, jovens e nem tão jovens, modernos e nem tanto. Buscamos alcançá-la, a tal da segurança, imaginando que só através dela poderemos conseguir a impalpável, intangível e indefinível felicidade. Me vem uma estranha sensação de que essa coisa toda foi inventada por aquele lá de baixo, o temido, o vermelhinho de garfo na mão. E porque teria ele se dado ao trabalho de inventar algo assim, que nos ocupa a mente, o coração e a alma, e nos faz tremer de medo? Elementar. Enquanto a gente fica ali, buscando proteção impossível, nos afastamos do real motivo pelo qual fomos colocados neste planeta, pelo lá de cima, o cheio de luz, o imparcial, aquele que, a despeito da opinião de muita gente, não julga. E ele nos colocou aqui, basicamente, para vivermos livres e bem, perseguindo objetivos possíveis.
Mas vamos definir a impossível segurança. É a condição do que está seguro, certo? É a condição do que está protegido, do que não corre risco. Agora, sejamos absolutamente honestos; isso existe? Existe algo assim no mundo real? Um mundo onde nada é permanente, uma vez que a marca registrada do Universo é a impermanência? Bertolucci aborda o tema, no filme O Pequeno Buda, que vale a pena rever.
Por que então essa mania de conservar tudo, de se agarrar a lembranças, a coisas e pessoas? A neurose de guardar, segurar, controlar, de nos atarmos pelas mãos e pelos pés; o medo de andar, correr, voar, tocar outras superfícies, e sermos tocados por elas, o medo de abrir portas que nos despertam a curiosidade, só paralisam a vida. Computadores e celulares não são seguros. Meu último celular se jogou na piscina num dia quente, e perdi toda a agenda telefônica. Meu notebook, como você sabe, precisou de um transplante de disco rígido e lá se foram documentos, lembranças, fotos, palestras, endereços e contatos. No primeiro momento cheguei a pensar em sofrer, mas logo decidi dar as boas-vindas à oportunidade de limpar também esse setor da minha vida, e começar de novo. Do quase zero. Tenho limpado armários e doado ou jogado fora tudo aquilo que não uso há pelo menos um ano, e tenho limpado também a minha própria memória. Talvez seja uma técnica para não sofrer com as perdas que chegam com as próprias pernas. Já me desapego, e pronto. Tomo a iniciativa, eu. A experiência tem sido interessante, e recomendo.
Pense nisso, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano
O nome de Mário Quintana foi lançado nacionalmente em 1966 com a publicação de Antologia Poética, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Dos poemas escolhidos havia este que você ouve na interpretação de Milton Ferretti Jung:
Quintanares é um programa que foi ao ar na rádio Guaíba de Porto Alegre, durante 10 anos. Os arquivos pessoais de Milton Ferretti Jung são reproduzidos aqui todas as terças e sábados.
Deputados vão negociar demissões nas estatais paulistas
Após o depoimento do presidente da Cetesb, Fernando Rei, à comissão do trabalho da Assembléia Legislativa de São Paulo, deputados estaduais se comprometeram em participar das negociações para impedir a demissão de milhares de funcionários de empresas estatais com capital misto – caso da própria Cetesb, entre outras. A comissão de parlamentares pretende conversar com o Ministério Público Estadual, à Procuradoria Geral do Estado e o governador José Serra (PSDB). A iniciativa mudou a expectativa de parte dos funcionários ameaçados de perder o emprego sem ter direito a indenizações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho.
Para entender melhor o caso, leia notas mais abaixo sobre o tema.
Lobby contra restrição de caminhões está na internet
Para pressionar o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vale tudo. Nem enquete de Internet se salva. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo, Francisco Pelucio, emitiu mensagem eletrônica convocando os associados a participarem da consulta pública que o Estadão realiza. A pergunta é se as restrições à circulação de caminhões na cidade de São Paulo devem ser ampliadas. Por enquanto, o lobby dos caminhoneiros não funcionou, pois o sim vencia até minha última olhada por 69% a 31%. Não custa lembrar que enquete pela Internet só vale mesmo por curiosidade e para gerar acesso no site da empresa, não tem nenhum valor científico.
A frase é de um dos assessores do prefeito Gilberto Kassab (DEM) após analisar a cobertura jornalística sobre discussão no Conpresp para permitir a construção de prédios de até 18 andares no entorno do Parque do Ibirapuera. Informações desencontradas, algumas que partiram do próprio gabinete do prefeito, e a publicação de minuta de outro projeto que pretende interferir na constituição do Conpresp confundiram ainda mais o debate sobre a ocupação da cidade.
Sobre este último caso, projeto que está em debate dentro da prefeitura que diminuiria o poder do conselho, obrigando que suas decisões fossem ratificadas pelo prefeito e vereadores, Gilberto Kassab disse que ainda não leu a minuta porque ainda está em discussão com um grupo de trabalho.
O projeto de lei que pretende impedir a construção de prédios mais altos no entorno do Parque do Ibirapuera foi confirmado pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) em entrevista ao CBN SP. O texto ainda não foi encaminhado à Câmara Municipal, ao contrário do informado ao programa na edição dessa quinta-feira.
Para Kassab, o projeto de lei vai interferir na lei de zoneamento para impedir prejuízos ao parque do Ibirapuera. Ouça a entrevista ao CBN SP:
O texto foi publicado em O Globo de quinta-feira (11/04) e reproduzo aqui porque não há como acessar a página do jornal na internet se você não estiver cadastrado por lá:
Boa notícia é que nunca se viu tantos carros nas ruas. A má notícia é que nunca se viu tantos carros nas ruas. Carros sendo produzidos e comprados como nunca significam fábricas e fornecedores funcionando e empregando mais, mais gente com mais dinheiro ou crédito no mercado, uma classe média em expansão, uma economia em crescimento. Carros sendo produzidos e comprados como nunca significam engarrafamentos inéditos e acidentes de trânsito em níveis de massacre, sem falar no aumento da poluição do ar que respiramos e no agravamento generalizado das neuroses. É bom que muitas pessoas que não tinham condições de comprar seu carro agora tenham, é ruim que em todas as grandes cidades brasileiras hoje exista uma grande nostalgia pelas chamadas horas do rush, ou os horários de pique no trânsito, de antigamente, pois agora toda hora é hora do rush.
O que há é que, na surrada analogia de uma Bélgica dentro de uma Índia para descrever o Brasil, a Bélgica cresceu e os belgas e neobelgas têm mais carros, mas continuam obrigados a circular nas ruas e estradas da Índia. Quanto mais cresce a Bélgica, mais aparecem as precariedades da Índia. A publicidade dos carros sendo lançados prefere ignorar esta realidade e anunciar máquinas flamantes feitas para zunir por ruas e estradas de um país que não apenas não é a Índia como não é nenhuma Bélgica reconhecível, mas uma terra fantástica onde o trânsito sempre flui e os carros voam. Uma ironia que se repete diariamente: o cara chega em casa depois de algumas horas preso num engarrafamento de qualquer grande cidade brasileira, liga a televisão e, entre notícias de terríveis acidentes com morte em estradas inadequadas por excesso de velocidade, só vê propagandas de carros vendendo a grande aventura da velocidade. E da potência sem impedimentos, muito menos de carros na frente e dos lados.
Como fica cada vez mais improvável que conheceremos essa terra de sonho, resta esperar que a indústria automobilística se prepare para o engarrafamento final que vem aí, quando o trânsito se tornará, literalmente, impossível. Esqueçam velocidade e potência. Interiores com beliches, quitinete e mesas para carteado, para passar o tempo. Rojões de sinalização, para pedir o resgate por helicóptero. Sei lá.
Foi em uma das viagens (com “g”) de lotação que costuma fazer entre a zona leste e o centro da cidade que a ouvinte-internauta Bianca Iaconelli encontrou o alerta acima. O celular, além de fotografar a pérola lingüística, serviu para que ela fizesse contato com a prefeitura e sugerisse (ainda com “g”) uma revisão ortográfica nos avisos que circulam pela cidade.
Havia cerca de 70 pessoas, algumas em pé, no auditório do Sesc Vila Mariana, onde se realizou, na manhã dessa quinta-feira, debate sobre o destino do material reciclável (resíduos sólidos) gerados na cidade de São Paulo. Calcula-se que a capital produza em torno de 9 mil e 700 toneladas por dia de material que poderia ser reaproveitado, mas apenas pequena parcela (1%) vai parar nas cooperativas, disse Maurício Broinizi, coordenador do Movimento Nossa São Paulo, ao CBN SP:
Há 50 anos, um rapaz de corpo franzino e topete bem ajeitado chegou ao saguão do ostentoso prédio da Companhia Jornalística Caldas Júnior vestido de maneira simples, mas cuidadosa. Teve de pegar um elevador que mais se parecia com uma gaiola de ferro, com portas sanfonadas, para chegar a redação em seu primeiro dia de emprego como locutor comercial daquela rádio que mal completava um ano.
Hoje, 10 de abril de 2008, o mesmo rapaz, sem muitas marcas daquele topete que, imagino, chamava atenção das meninas moças, chegou ao saguão do mesmo prédio que fica há alguns passos da Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre. O elevador mudou pouco em relação ao daquela época. A voz do locutor, também. Apenas mais afinada, refinada. Resultado da experiência adquirida em pouco mais de cinco décadas de profissão.
Milton Ferretti Jung completou, nesta quinta-feira, 50 anos de Rádio Guaíba, uma das mais influentes emissoras do sul do Brasil. A síntese noticiosa que apresenta desde 1964, na edição da uma da tarde, reservou seus 10 minutos para que colegas, amigos e filhos prestassem homenagem àquele que é, merecidamente, chamado de “A Voz do Rádio”.
No espaço a mim oferecido contei a história de uma ouvinte-internauta da CBN, conterrânea que não perdeu o costume de ouvir a Guaíba (agora pela Internet), e que, logo cedo, encaminhara e-mail para parabenizar –me pela marca alcançada pelo jornalista, radialista e meu pai, Milton Ferretti Jung – o mesmo que você ouve terças e sábados aqui no blog intepretando o poeta Mário Quintana.
É sempre um privilégio ser lembrado como o filho do Milton.
Prefeitura envia lei para impedir invasão no Ibirapuera
Projeto de lei que limita a altura dos prédios na região do entorno do parque do Ibirapuera foi encaminhado pela prefeitura à Câmara dos Vereadores de São Paulo, nesta manhã. A medida foi uma resposta a discussão que ocorre no Conpresp, conselho do patrimônio histórico da cidade, que pretende mudar resolução que permite edificações de até 8 andares na região. A proposta do departamento de patrimônio histórico da cidade, órgão ligado a Secretaria Municipal de Cultura, é que possam ser levantados prédios de até 18 andares.
Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, desta quinta-feira, mostra que se a medida proposta pelo DPH for aprovada o valor dos terrenos na região vai triplicar.
Ouça a entrevista do líder do Governo na Câmara, vereador José Police Neto (PSDB):
Empresas não serão punidas por contrato considerado ilegal
Apenas os funcionários das empresas de capital misto do Estado de São Paulo serão punidos, a partir da resolução do Tribunal Superior do Trabalho que determina o afastamento daqueles que não realizaram concurso público até 1991.
A gerente do departamento jurídico da Cetesb, Sandra Medaglia, falou ao CBN SP:
Estatais paulistas demitem servidores sem direito trabalhista
TAC. Esta é a sigla que está tirando o sono de milhares de funcionários públicos das estatais de capital misto, no Estado de São Paulo, como Sabesp, Cetesb, Cesp e Dersa. TAC é termo de ajustamento de conduta, apresentado pelo Ministério Público estadual que pretende ver atemdida regra de contratação de servidores que estaria em vigor desde a Constituição de 88 e não teria sido cumprida pelas empresas. Segundo esta medida todos os servidores contratados pelo regime de CLT, sem concurso público, têm de ser afastados dessas empresas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Helifax Pinto de Souza, explicou a situação destes servidores no CBN SP:
Clique nas imagens e veja o álbum de fotos com as pichações
A seqüência de imagens foi feita pelo ouvinte-internauta Rubens Peterlongo que montou sua escola no prédio Santa Victória, na esquina da rua Dom José de Barros com a avenida São João, em frente a Galeria Olido, tombada pelo patrimônio histórico e alvo de ataques de pichadores, todas quintas-feiras à noite, quando se realizam encontros de jovens naquela região. As reclamações foram levadas à Secretaria Municipal de Cultura e à Ouvidoria da Prefeitura, que têm sede no local, e à Polícia Militar.
“O problema é localizado, tem dia e hora certos! Estou tentando convencer a PM a colocar uma guarita móvel, na esquina somente neste dia e horário, mas está muito difícil”, escreveu Rubens Peterlongo.
Quem leu a última “Avalanche” encontrou-se com o quero-quero da minha infância. O bichinho brigão esteve de volta esta noite no estádio Olímpico. Era cedo e a revoada em torno da Azenha, grande. Até o início da partida já eram mais de 30 mil quero-queros que assim que pousaram, começaram a fazer barulho, gritar, bater asa e chamar atenção. Os azuis, pretos e brancos unificavam o movimento na geral. E foram eles os motivos de orgulho para este torcedor isolado diante do rádio e da Internet, aqui em São Paulo. Tive vontade de estar lá ao lado deles, desejo que permanece mesmo agora após saber o resultado dentro de campo. Porque fazer parte de uma torcida como esta que canta o hino para protestar contra aqueles que não compreendem a importância do clube que representam é motivo de orgulho, sim.
Fica a esperança de que os quero-queros não se concentrem apenas nas arquibancadas, e passem a vestir, também, a camisa do tricolor gaúcho – um Roger só não faz verão (quase fez).
Duas maneiras de se comunicar que surgiram em gerações muito distantes e próximas por suas características, ao mesmo tempo. O rádio que chegou ao Brasil nos anos 20 e o blog que completa 10 anos de vida exigem do jornalista agilidade e precisão, dois conceitos que se não andarem juntos podem ferir o que há de mais caro na profissão: a credibilidade.
O rádio moderno e o blog foram discutidos no terceiro encontro do “I Ciclo de Palestras Jornalismo Os Rumos da Profissão”, organizado no sábado, dia 5, pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
A conversa com 110 profissionais e estudantes durou mais de três horas, nas quais foi possível apresentar as novas maneiras de se “ouvir” rádio a partir das ferramentas desenvolvidas pela CBN em seu portal de notícias na internet. Este blog também foi apresentado aos convidados com a demonstração de recursos explorados desde seu surgimento, no ano passado.
O álbum de fotografias (um desses recursos) da palestra você acessa ao clicar na imagem acima. O trabalho fotográfico foi uma gentileza da jornalista Luci Judice que registrou o encontro e nos encaminhou o material para ser publicado no blog.
O descrédito dos amigos e conhecidos não abalou a ouvinte-internauta Maria Aparecida Grili que chegou da Bahia para educar os filhos e formar uma das filhas dentista:
Todos os sábados no CBN SP, todos os dias neste blog e a na livraria mais interessante do seu bairro, você conhece o Conte Sua História de São Paulo.